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segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Libéria busca infectados por ebola que fugiram de centro de isolamento

France Presse
18/08/2014 10h48 - Atualizado em 18/08/2014 11h50

Libéria busca infectados por ebola que fugiram de centro de isolamento

Ataque de homens armados provocou fuga de doentes com o vírus.
17 pessoas são procuradas em Monróvia, capital do país.


Cartazes avisam do risco de contaminação do vírus Ebola, na Libéria. (Foto: Abbas Dulleh/AP Photo)
Cartazes avisam do risco de contaminação do vírus Ebola, na Libéria. (Foto: Abbas Dulleh/AP Photo)

Os 17 doentes de ebola que no fim de semana escaparam de um centro de isolamento invadido e saqueado por homens armados com cassetetes e facas em Monróvia, a capital da Libéria, eram procurados nesta segunda-feira (18), disseram à AFP diversas fontes."Até esta manhã seguíamos buscando estes 17 doentes que fugiram do campo, mas ainda não os encontramos", declarou à AFP o ministro de Informação, Lewis Brown.
"O pior é que os que saquearam o centro pegaram colchões e toalhas manchadas de fluidos dos corpos dos doentes. Nos arriscamos a ficar em uma situação difícil de controlar", declarou.
Brown, porta-voz oficial designado pela presidente Ellen Johnson Sirleaf para todas as questões relacionadas ao ebola, sugeriu a possibilidade de colocar em quarentena o bairro de West Point, de 75 mil habitantes, onde o centro havia sido instalado recentemente em uma escola.
"Provavelmente todos esses bandidos que saquearam o centro portam agora o vírus do ebola. Uma solução poderia ser colocar o bairro em quarentena", disse.
O pai de Michel Boima, um dos doentes do centro de isolamento, declarou que não havia tido notícias dele desde o ataque, que ocorreu na madrugada de domingo.
"Tenho medo de que ele morra em qualquer lugar sem que eu saiba", disse Fallah Boima, por telefone.
O presidente dos jovens de West Point, Wilmont Johnson, declarou nesta segunda-feira aos jornalistas que havia mobilizado uma equipe de buscas no bairro, que não encontrou nenhum rastro dos 17 desaparecidos.
"Procuramos no bairro por toda parte, mas foi em vão. Os que os viram passar dizem que foram para outros bairros", disse Johnson.
Segundo várias testemunhas, os criminosos gritavam palavras hostis à presidente Sirleaf e diziam que não há ebola no país.
Em cinco meses, esta febre hemorrágica muito contagiosa deixou 1.145 mortos, segundo o último balanço da Organização Mundial da Saúde (OMS), 413 dos quais foram registrados na Libéria, 380 na Guiné, 348 em Serra Leoa e quatro na Nigéria.

Países atingidos por ebola devem examinar todos os viajantes, diz OMS

Exames deverão ser feitos em aeroportos, portos marítimos e fronteiras.OMS reiterou que não são necessárias restrições mais amplas a viagens.



Homem  tem  temperatura  aferida  em  termômetro digital  no  Aeroporto  Internacional  de  Abuja,  na  Nigéria  Foto:  (Reuters/ Afolabi Sotunde)


Em comunicado, a agência de saúde da ONU reiterou ser pequeno qualquer risco de infecção pelo ebola a bordo de uma aeronave, e afirmou não haver necessidade de restrições mais amplas a viagens e comércio. Autoridades dos países afetados pelo surto de ebola devem examinar as pessoas que partem pelos aeroportos internacionais, portos marítimos e principais passagens de fronteira por terra para impedir qualquer indivíduo com sinais de infecção pelo vírus de viajar, disse a Organização Mundial da Saúde (OMS) nesta segunda-feira (18).
Guiné, Libéria, Nigéria e Serra Leoa são os países afetados pelo atual surto de ebola, que já resultou em mais de 1.000 mortes.
"Países afetados são solicitados a conduzirem exames de saída em todas as pessoas em aeroportos internacionais, portos marítimos e principais passagens de fronteira terrestres em busca de sintomas febris inexplicados consistentes com uma potencial infecção por ebola. Qualquer pessoa com sintomas consistentes com o ebola não deve ter permissão de viajar a menos que a viagem seja parte de uma retirada médica apropriada", diz o texto.